INTRODUÇÃO PRECOCE DE FÓRMULA INFANTIL PREVINE APLV

 Autores: Tetsuhiro Sakihara, Kenta Otsuji, Yohei Arakaki, Kazuya Hamada,Shiro Sugiura e Komei Ito 

Fonte: Journal of Allergy and Clinical Immunology, vol. 147, n. 1, pág. 224 a 232, Janeiro de 2021 

Introdução: A alergia a proteína do leite de vaca é relativamente comum na primeira infância, com prevalência estimada de 0,5 a 4,9%. É comum que logo após o nascimento, ainda na maternidade, os neonatos recebam alguns dias de fórmula infantil. No entanto, após a alta, com a recomendação de aleitamento materno exclusivo, a ingestão de fórmula é interrompida. No entanto, esses lactentes têm risco elevado de desenvolverem alergia à proteína do leite de vaca quando o leite for reintroduzido.  

Objetivo: Determinar se a introdução precoce de fórmula infantil pode funcionar como estratégia na prevenção da APLV

Metodologia: Trata-se de um estudo multicêntrico, no qual foram incluídas crianças de até 5 dias de vida, nascidas com pelo menos 35 semanas de idade gestacional e 2kg. Os participantes eram divididos aleatoriamente em dois grupos: um deles ingeria pelo menos 10 mL de fórmula infantil diariamente entre o primeiro e o segundo meses de vida. O outro grupo não ingeria leite de vaca até o terceiro mês de vida. Teste alérgico cutâneo e teste de provocação oral com leite eram realizados no terceiro mês. 

 

Resultados: O estudo mostrou que o consumo diário de uma pequena quantidade de fórmula infantil de leite de vaca nos dois primeiros meses de vida ajuda a prevenir a alergia a proteína do leite de vaca confirmada por teste de provocação oral. 

Conclusão: Os resultados satisfatórios do estudo permitem concluir que a ingestão de pequenas quantidades - não suficientes para alimentar o lactente – são capazes de  prevenir o desenvolvimento da alergia à proteína do leite de vaca sem influenciar no uso de leite materno. 

Comentário: Mais um estudo que indica que a introdução precoce de leite de vaca em crianças de risco diminui a incidência de APLV. Quais são as crianças de risco? O melhores resultados foram obtidos quando a criança apresenta-se com dermatite atópica nas primeiras semanas de vida. Crianças com irmãos alérgicos, principalmente com alergia alimentar e pais alérgicos, também podem beneficiar-se. Este estudo mostra ainda que introdução precoce não é capaz de desestimular o aleitamento materno, ao contrário: a quantidade de fórmula infantil que se propõe que seja oferecida diariamente não é capaz de nutrir ou satisfazer o lactente. O objetivo é apenas que haja contato precoce com a proteína do leite de vaca como alérgeno, sem jamais desconsiderar os benefícios do aleitamento materno. 

 



Dra. Fabiana Lima