TRATAMENTO PRÉ HOSPITALAR E NA EMERGÊNCIA DE CRIANÇAS COM ALERGIA ALIMENTAR

Autores:  JimmyKo,MD,ShiyunZhu,MPH, AmyAlabaster,MPH, Julie Wang,MD,andDana R. Sax, MD,MPH Oakland, Calif; and New York, NY 

FONTE: American Academy of Allergy, Asthma & Immunology (J Allergy Clin Immunol Pract 2020;8:2302-9) 

JUSTIFICATIVA: Estudos avaliando reações sistêmicas induzida por alimentos e tratamentos pré-hospitalares em bebês e em crianças são escassos.  

OBJETIVO: Descrever as diferentes características clínicas em crianças de 0 a 4 anos que se apresentam ao pronto atendimento (PA) com reações de alergia alimentar (AA) e investigar a associação entre o uso de epinefrina pré-hospitalar e os resultados clínicos. 

MÉTODOS: Estudo de coorte retrospectivo de visitas ao departamento de emergência com alergia alimentar de janeiro de 2016 a Dezembro de 2018. Os registros foram revisados para verificar se os critérios para anafilaxia foram atendidos.  Os resultados foram analisados ​​quanto ao tratamento pré-hospitalar e no PA

RESULTADOS: Foi avaliada uma coorte ponderada de 1.518 crianças apresentando AA atendidas no PA. Bebês (< 1 ano) apresentaram sintomas respiratórios  com menos frequência do que crianças de 2 e 4 anos (6,8%, 16,1% e 23,9%) respectivamente (P <0,01), e após a primeira ingestão de alimentos ofensivos (74,8%, 44,2% e 18,4%), respectivamente, com p<0,001. Ovo foi o gatilho mais comum (33,8%, 8,6% e 5,3%) respectivamente com p<.001. Crianças menores de 2 anos tendem a preencher critérios de anafilaxia com menos frequência do que crianças mais velhas (31,3% vs 42,2%; P<0,06), com aplicação de epinefrina no PA administrada em apenas 12,6% das vezes. Epinefrina pré-hospitalar foi administrada em 152 pacientes e foi associado a uma maior probabilidade de admissão para observação (razão de channce de 2,6), mas com menor probabilidade de tratamento com epinefrina no PA.  

CONCLUSÕES: Bebês tratados no PA para reações de AA apresentaram-se de forma diferente do que as crianças mais velhas. A maioria das das reações em menores de 2 anos ocorreu após a primeira ingestão conhecida do alimento ofensivo. No geral, no PA o uso de epinefrina era baixo, exigindo educação adicional para reconhecer e tratar a anafilaxia na emergência. 

COMENTÁRIOS: Este estudo confirma achados anteriores que epinefrina é subutilizada no tratamento da anafilaxia tanto no PA quanto fora dele. Em bebês abaixo de 1 ano a aplicação de epinifrina foi ainda menor. Cabe salientar que epinefrina é o único medicamento realmente eficaz no tratamento da anafilaxia, o único que comprovadamente salva vidas. Na anafilaxia nunca se erra se epinefrina for aplicada para mais. Não aplicar epinefrina na anafilaxia é indefinsável do ponto de vista científico.

Dra. Emanuelle Xavier