CRIANÇAS COM DIAGNÓSTICO DE ASMA ESTÃO MAIS PROPENSAS A REAÇÕES ANAFILÁTICAS GRAVES?

Autores: Timothy E. Dribin, MD , Kenneth A. Michelson, MD, MPH, Yin Zhang, MS, David Schnadower, MD, MPH , and Mark I. Neuman, MD, MPH

Fonte: The Journal of Pediatrics v. 220, p.159-164, E2. 01 de Maio de 2020

Introdução: A anafilaxia é uma reação alérgica aguda grave e potencialmente fatal. Embora os pacientes com histórico de asma são considerados de risco para reações anafiláticas graves e fatais, a evidência é limitada. Apesar disto, as diretrizes da Academia Americana de Alergia, Asma e Imunologia recomendam períodos de observação prolongados para pacientes com asma devido ao risco de reações graves e fatais. 

Objetivo: Determinar se a história de asma estava associada à gravidade da anafilaxia em crianças hospitalizadas com esse quadro. 

Métodos: Estudo de coorte retrospectivo avaindo crianças de 6 meses a 18 anos de idade hospitalizadas com anafilaxia, atendidas em pronto-socorro de janeiro de 2009 a junho de 2016. Informações foram obtidas de prontuário eletrônico, incluindo história prévia de anafilaxia, asma, rinite alérgica, dermatite atópica e uso de corticosteroides inalatórios. As reações graves foram definidas pela presença de sinais e sintomas como estridor, hipotensão e dificuldade respiratória durante as primeiras 4 horas no pronto atendimento. Também foram consideradas graves as seguintes situações: necessidade de 2 doses de adrenalina IM, uso de albuterol  e ventilação com pressão positiva no pré-hospitalar, pronto-socorro ou durante internação.

Resultados: Entre as 603 crianças hospitalizadas por anafilaxia, 231 (38,3%) tinham história de asma. Crianças com histórico de asma eram mais velhas (idade mediana, 6,6 anos [IQR, 3,6-12,1] vs 4,0 anos [IQR, 1,6-9,3]), tinham maior probabilidade de ter um histórico de anafilaxia (38,1% vs 18,0%), e ter um alimento como alérgeno desencadeante (68,0% vs 52,2%). Crianças com histórico de asma não eram mais propensas a ter reações anafiláticas graves (OR, 0,97; IC de 95%, 0,67-1,39).

Conclusão: Crianças hospitalizadas por anafilaxia com histórico médico de asma não eram mais propensas a ter reações anafiláticas graves em comparação com crianças sem asma. Este estudo apoia o manejo de crianças com anafilaxia com base na gravidade da sintomatologia e, se validado, os médicos não devem considerar a comorbidade asmática como um critério independente para hospitalização.

Comentário: Muitos guidelines citam que pacientes com anafilaxia e asma podem desenvolver uma reação anafilática mais grave. Entretanto, este artigo mostra uma mudança de paradigma nos riscos de maior gravidade da reação anafilática em pacientes asmático. Trata-se de uma boa notícia. O estudo mostra que essas crianças asmáticas não tem reações anafiláticas mais graves quando comparado com crinaças não asmáticas. É sempre bom lembrar: aplicar Adrenalina precocemente é a melhor maneira de evitar uma reação anafilática grave. 

Dra. Ludmila Hoara Machado