BRONCOSCOPIA NA ASMA GRAVE INFANTIL: IRRESPONSÁVEL OU INSUBSTITUÍVEL

Autores: Megan N. Januska, David L. Goldman, Wilmore Webley, W. Gerald Teague, Robyn T. Cohen, Supinda Bunyavanich , Alfin G. Vicencio 

Fonte: Pediatric pulmonology, v. 55, n. 3, p. 795-802, 2020

Objetivo: Avaliar as aplicações em potencial, passadas, presentes e futuras da broncoscopia na asma grave infantil.

Métodos: Estudo de revisão combinando literatura documentada, experiência pessoal, lógica, dedução e opinião dos autores. 

Discussão: A broncoscopia na asma caiu em desuso após 1970, quando a comercialização de produtos seguros, eficazes e inalatórios, resultaram em melhor controle dos sintomas e atenuou a necessidade de estratégias invasivas. A broncoscopia passou então a ser usada para diagnóstico de alterações anatômicas da via aérea, identificação de corpo estranho, ou seja, diagnósticos diferenciais da asma. Nos últimos anos, a utilidade clínica da broncoscopia na asma infantil grave está ressurgindo. Ainda não existem protocolos para o uso da broncoscopia na asma infantil. Os grupos que optam pelo procedimento o reservam para a minoria de pacientes que falham na terapia padrão. A broncoscopia pode auxiliar no diagnóstico de infecções subagudas, determinar tipo de inflamação local, além de avaliar a presença de malformações ou lesões nas vias aéreas que estariam prejudicando o controle da asma.

Conclusões: Ainda não está claro com que frequência a broncoscopia é empregada no cuidado de crianças com asma. Os receios se concentram no risco de realizar um procedimento invasivo em crianças com doença não controlada, além do impacto potencial da anestesia no desenvolvimento infantil. Porém não se discute o risco de não se realizar tal procedimento em pacientes selecionados. A pergunta do papel da broncoscopia em tais pacientes permanece, contudo, espera-se que este artigo estimule troca de idéias, conhecimentos e recursos em direção ao objetivo comum de encontrar a resposta.

Comentário: As contribuições da broncosopia no diagnóstico e acompanhamento de crianças com asma grave infantil são evidentes. Realizamos em nosso serviço sempre com lavado broncoalveolar (BAL) em pacientes pacientes selecionados. Posso afirmar que as complicações são raras. Necessita-se de mais estudos de tal procedimento na pediatria para confirmar seu potencial benefício em detrimento dos riscos para indicação clínica. WRF

Dra. Natália Nicolai Gomes