SEQUELA RESPIRATÓRIA E QUALIDADE DE VIDA APÓS PNEUMONIA ADQUIRIDA NA COMUINDADE

Autores:Anna M. Nathan MRCPCH| Cindy S.J. Teh PHD| Kah Peng Eg MMed |Kartini A. Jabar Mpath | Rafdzah Zaki DrPH | Shih Ying Hng MMed| Caroline Westerhout MRad5 | Surendran Thavagnanam FRCPCH| Jessie A. de Bruyne MRCP

Fonte: Pediatric Pulmonology. 2020;55:407–417

Introdução: Infecções do trato respiratório em crianças podem resultar em sequelas. Nosso objetivo foi determinar a prevalência e os fatores associados às sequelas respiratórias persistentes 1 ano após a internação por infecção do trato respiratório inferior (ITRI).

Metodologia: Este estudo de coorte prospectivo envolveu crianças de 1 mês a 5 anos de idade admitida com um ITRI. Crianças com asma foram excluídas. Os pacientes foram revistos com 1 mês, 6 meses e 12 meses após a alta hospitalar. Por meio de um questionário aplicado com os pais foi avaliado a qualidade de vida, a depressão, ansiedade e feito um diário de tosse por 1 mês. Os resultados analisados ​​foram o número de visitas não programadas ao médico, sintomas respiratórios e diagnóstico final aos 6 e 12 meses por pneumologistas pediátricos.

Resultados: Trezentos pacientes com idade média de 14 ± 15 meses foram recrutados. Após 1 mês, 239 (79,7%) retornaram: 28,5% (n=68/239) procuraram orientação médica e 18% (n=43/239) tiveram tosse na revisão clínica. Crianças que receberam antibióticos no hospital tiveram escores totais de tosse significativamente menores (P = 0,005). Após 1 ano, 26% (n = 78/300) tiveram pelo menos um problema respiratório. O quadro clínico predominante foi de sibilância no pré-escolar (n=64/78, 82,1%). Três crianças tiveram bronquiectasia ou bronquiolite obliterante. Qualidade de vida específica dos pais foi significativamente menor em crianças com sequelas respiratórias (P<0,01). Na regressão logística, o uso de antibióticos em hospitais (odds ratio ajustada, 0,46; P = 0,005) foi associado a um risco reduzido de sequelas respiratórias.

Conclusão: Nas crianças internadas por ITRI, um quarto apresentava sequelas respiratórias. A sibilância no pré-escolar foi o achado mais frequente. O uso de antibióticos foi associado com menor risco de sequelas respiratórias.

Comentário: Estudo realizado em país em desenvolvimento (Malasia) indica que 1/4 das crianças que tiveram infecção pulmonar vão apresentar sequela no primeiro ano pós infecção. Trata-se de uma incidência elevada de complicações que a feta a qualidade de vida dos pais e aponta para um acompanhamento destas crianças após o evento infeccioso. Sibilância foi a principal complicação sugerindo que vírus tenha sido agente infeccioso mais frequente. WRF

Dra. Emanuelle Xavier