PREDNISONA X DEXAMETASONA NO TRATAMENTO DA CRUPE

Autores: Colin M. Parker, Matthew N. Cooper

Fonte: Pediatrics. 2019;144(3)

Introdução: A eficácia e a segurança dos corticosteroides para o tratamento da crupe é bem estabelecido e amplamente utilizado em seu manejo no departamento de emergência. Demonstrou-se que os tratamentos com esteróides diminuem significativamente a taxa de internação, tempo de internação, visitas de retorno, internação em UTI e intubação em pacientes com crupe. 

Objetivo: Neste estudo, o objetivo foi comparar o tratamento tradicional, baseado em evidências, padrão ouro, da dexametasona na dose de 0,6 mg/kg, com dois tratamentos alternativos já usados amplamente, ou seja, dexametasona em doses mais baixas (0,15 mg/kg) e prednisolona (1 mg/kg) e avaliar esses tratamentos quanto à não inferioridade.

Método: Estudo prospectivo, duplo-cego, randomizado e controlado, realizado em dois departamentos de emergências na Inglaterra. O período do estudo foi de março de 2009 a julho de 2012. Diagnóstico de crupe foi  definido pelo médico da emergência como voz rouca ou tosse ladrante e estridor. Os critérios de inclusão foram: maiores de 6 meses e peso máximo 20kg. Já os criterios de exclusão foram: alergia a dexametasona ou prednisolona, doença imunossupressora, tratamento recente com esteróides, e alta suspeita clínica de diagnóstico alternativo. Um total de 1252 participantes foram inscritos e designados aleatoriamente para receber dexametasona (0,6 mg/kg), dexametasona em baixa dose (0,15 mg/kg) ou prednisolona (1 mg/kg). As medidas de desfecho primário incluíram o escore do Westley Croup 1 hora após o tratamento e o retorno médico não programado durante os 7 dias após o tratamento.

Resultados: O escore médio do Westley Croup no início do estudo foi de 1,4 para dexametasona, 1,5 para dexametasona em baixa dose e 1,5 para prednisolona. A diferença ajustada nos escores em 1 hora, em comparação com a dexametasona, foi de 0,03 (intervalo de confiança de 95% de 20,09 a 0,15) para dexametasona em baixa dose e de 0,05 (intervalo de confiança de 95% de 20,07 a 0,17) para prednisolona. Não houve difereça significativa nas taxas de recorrência para dexametasona (17,8%), dexametasona em doses baixas (19,5%) e para prednislona (21,7%) - [P = 0,59 e 0,19]). Da mesma forma, as taxas de retorno ao PA foram baixas em 5,9% (dexametasona), 8,8% (baixa dose de dexametasona) e 7,5% (prednisolona), sem diferença estatística entre grupos de tratamento. Nenhum dos participantes necessitaram de intubação e ou internação em unidade de terapia intensiva. O tempo médio de permanência entre os pacientes foi de 124 minutos; isso não diferiu significativamente entre os grupos de estudo (P = 0,23). Não houve diferenças entre os grupos quanto a necessidade de epinefrina nebulizada (2,2% a 3%) ou na incidência de vômito (até 4%) após o tratamento. Uma ou mais doses adicionais de esteróides foram administradas a 11,3%, 15,1% e 18,9% dos participantes nos grupos de dexametasona, baixa dose de dexametasona e prednisolona, respectivamente (P = 0,04).

Conclusão: Os esteróides orais são um tratamento eficaz da crupe, e o tipo de esteróide parece não ter um impacto clinicamente significativo na eficácia, tanto aguda quanto durante a semana após o tratamento. As crianças tratadas com prednisolona inicialmente são mais propensas a exigir doses adicionais durante a doença. 

Comentário: Crupe é o termo mais utilizado no mundo inteiro. No Brasil Laringe é mais utilizado. Seja qual for o termo, é necessário ter estridor inspiratório. Tosse ladrante e rouquidão se estridor, não é suficiente para cravar o diagnóstico de crupe ou laringite. O problema que vejo neste estudo é a melhora clínica rápida, 1 hora após a dose de corticóide. Sabemos que os corticóides levam algumas horas para dcomeçar a fazer efeito. Além disto Crupes virais a recuperação é lenta. Portanto, podemos inferir que a maioria dos casos deve ter sico de Laringite (crupe) estridulosa que melhora rapidamente, às vezes no caminho para o hospital. Além disto, pelo escore clinico na admissão, chegamos à conclusão que os casos estudados eram de crupeleve, fato aque pode ter influenciado o resultado. WRF

Dra. Ludmila Hora Machado